Estratégia para a luta contra ‘Violência
juvenil’ em Cabo Verde
Sobre o tema, muitos autores têm vindo a identificar a pobreza, o
desemprego, a prática da violência como meio de alcançar poder e destaque na
sociedade, o consumo de álcool, de drogas, o abandono escolar, o aumento da
prostituição juvenil, e a falta de uma estrutura familiar como principais
causas que conduzem a esta temática. Logo repara que o tema «violência
juvenil em Cabo Verde» reúne um conjunto de outras problemáticas interligadas
entre si. Surge a necessidade de se aceitar abordagens comunitárias ao nível
sistémico que avancem o aparecimento de uma comunidade capaz.
Neste sentido, torna-se urgente desenvolver caminhos de investigação e
de acção que se focalizem nas interdependências que ocorrem nas circunstâncias,
de modo, a promover o plano de soluções colaborativas e criativas por parte das
comunidades locais que as vivem diariamente.
Segundo Neste campo de acção deve-se apostar na limitação de um plano de
acção a médio, curto e ao longo prazo ajustada aos princípios da liderança
comunitária, participação cívica e abordagem sistémica de base ecológica. Tem
que focalizar a atenção nas capacidades e competências destas comunidades
locais e não nos seus defeitos e necessidades. Também, é necessário promover
que as mesmas tenham uma voz e uma participação activa em todas as fases no
delineamento do plano de acção e nos processos de tomada de decisão que lhes
dizem respeito, neste caso estratégias a definir para dar resposta à temática
da violência juvenil.
Deve-se promover a participação das associações de moradores, vizinhança,
associações comunitárias, escolas, Igreja, jovens, família, polícia, comércio
local, Câmaras Municipais, Governo da República de Cabo Verde e líderes locais.
Que, embora não façam parte das associações, têm capacidade de mobilização e de
comunicar com a comunidade, as quais não participam porque não se identificam
com as lideranças acessíveis não faz parte dos seus interesses pessoais integrarem
as mesmas. Estes factos por si não invalidam as suas capacidades de liderança.
Ao nível da família, deve-se ter em consideração a monoparentalidade. Há
que encetar e promover diálogos com as famílias, podendo neste domínio, a
Igreja assumir um papel fundamental de mediação. Por sua vez, é vital
identificar que sistemas de suporte podem vir a ser desenvolvidos para lhes
garantir um maior apoio. Nesta linha é relevante escutar a comunidade sobre
quais são os seus conhecimentos de género e a partir daí debruçar sobre os
impactos no desenvolvimento dos jovens enquanto futuros cidadãos e cidadãs de
Cabo Verde.
Para que os jovens acedam equitativamente a oportunidades que elevem os
seus talentos e capacidades sem o exercício da violência não depende somente da
sua própria estrutura mas também dos sistemas de suporte bem como dos recursos
pessoais e organizacionais que se encontram disponíveis na comunidade
Cabo-verdiana. Caberá assim a definição de políticas públicas para todos e com
todos.. Quer
isto dizer que os jovens devem ser considerados parceiros activos em todas as
fases dos processos de tomada de decisão, mais precisamente, em todos os
programas,projectos,actividades que
sejam projectados em função da sociedade.
É imperativo que deixe de vigorar o discurso de que “é
para a juventude”. O mesmo limita-se a olhar os jovens como meros recipientes
de actividades que foram desenvolvidas sem terem tido em conta a sua voz e
interesses. Como tal a sua participação e mobilização ficam aquém das
expectativas.
Fontes:
Conferência
de Desenvolvimento Comunitário e Saúde Mental.
Bordonaro, L. I. (2006). Semântica da violência juvenil e
repressão policial em Cabo Verde.
