domingo, 13 de janeiro de 2013


Estratégia para a luta contra ‘Violência juvenil’ em Cabo Verde

Sobre o tema, muitos autores têm vindo a identificar a pobreza, o desemprego, a prática da violência como meio de alcançar poder e destaque na sociedade, o consumo de álcool, de drogas, o abandono escolar, o aumento da prostituição juvenil, e a falta de uma estrutura familiar como principais causas que conduzem a esta temática. Logo repara que o tema «violência juvenil em Cabo Verde» reúne um conjunto de outras problemáticas interligadas entre si. Surge a necessidade de se aceitar abordagens comunitárias ao nível sistémico que avancem o aparecimento de uma comunidade capaz.

Neste sentido, torna-se urgente desenvolver caminhos de investigação e de acção que se focalizem nas interdependências que ocorrem nas circunstâncias, de modo, a promover o plano de soluções colaborativas e criativas por parte das comunidades locais que as vivem diariamente.

Segundo Neste campo de acção deve-se apostar na limitação de um plano de acção a médio, curto e ao longo prazo ajustada aos princípios da liderança comunitária, participação cívica e abordagem sistémica de base ecológica. Tem que focalizar a atenção nas capacidades e competências destas comunidades locais e não nos seus defeitos e necessidades. Também, é necessário promover que as mesmas tenham uma voz e uma participação activa em todas as fases no delineamento do plano de acção e nos processos de tomada de decisão que lhes dizem respeito, neste caso estratégias a definir para dar resposta à temática da violência juvenil.

Deve-se promover a participação das associações de moradores, vizinhança, associações comunitárias, escolas, Igreja, jovens, família, polícia, comércio local, Câmaras Municipais, Governo da República de Cabo Verde e líderes locais. Que, embora não façam parte das associações, têm capacidade de mobilização e de comunicar com a comunidade, as quais não participam porque não se identificam com as lideranças acessíveis não faz parte dos seus interesses pessoais integrarem as mesmas. Estes factos por si não invalidam as suas capacidades de liderança.

Ao nível da família, deve-se ter em consideração a monoparentalidade. Há que encetar e promover diálogos com as famílias, podendo neste domínio, a Igreja assumir um papel fundamental de mediação. Por sua vez, é vital identificar que sistemas de suporte podem vir a ser desenvolvidos para lhes garantir um maior apoio. Nesta linha é relevante escutar a comunidade sobre quais são os seus conhecimentos de género e a partir daí debruçar sobre os impactos no desenvolvimento dos jovens enquanto futuros cidadãos e cidadãs de Cabo Verde.

Para que os jovens acedam equitativamente a oportunidades que elevem os seus talentos e capacidades sem o exercício da violência não depende somente da sua própria estrutura mas também dos sistemas de suporte bem como dos recursos pessoais e organizacionais que se encontram disponíveis na comunidade Cabo-verdiana. Caberá assim a definição de políticas públicas para todos e com todos.. Quer isto dizer que os jovens devem ser considerados parceiros activos em todas as fases dos processos de tomada de decisão, mais precisamente, em todos os programas,projectos,actividades que sejam projectados em função da sociedade.  É imperativo que deixe de vigorar o discurso de que “é para a juventude”. O mesmo limita-se a olhar os jovens como meros recipientes de actividades que foram desenvolvidas sem terem tido em conta a sua voz e interesses. Como tal a sua participação e mobilização ficam aquém das expectativas.
Neste seguimento, os jovens que já estiveram envolvidos em actos considerados ilícitos não devem ser olhados meramente do ponto de vista judicial. Tendo em conta o quadro legal dos crimes cometidos por determinados jovens e as suas idades, podia-se considerar que as molduras penais a aplicar consistiriam na prestação de serviços à comunidade incorporados num plano de acção a curto, médio e longo prazo que contemplasse a reintegração social com uma forte aposta na componente educativa, por exemplo, encaminhamento para escolas profissionais.
 
Fontes:
Conferência de Desenvolvimento Comunitário e Saúde Mental.
Bordonaro, L. I. (2006). Semântica da violência juvenil e repressão policial em Cabo Verde.
 http://pro-africa.org/violencia-juvenil-em-cabo-verde-abordagens-comunitarias-a-promover